Estava ansiosa para essa visita, pois já acreditava que seria algo impactante e de muita reflexão, mas foi mais do que isso. Próximo a Munique, na Alemanha, esse campo de concentração tem entrada gratuita, todos os dias, das 9h às 17h e disponibiliza áudios-guia em várias línguas. Custa apenas 3,50 euros e é necessário deixar um documento com foto (não pode ser o passaporte), sendo devolvido após o término da visita.

Dachau, construído em 1933 pelos Nazistas, chegou a abrigar mais de 200 mil prisioneiros, tendo mais de 30 mil mortes. Foi comandado por Hitler, que passava a imagem de que o lugar seria para o desenvolvimento alemão, no entanto, os mantinham sob condições precárias, trabalho pesado, torturas e execução. Até que, em 1945 as tropas Americanas chegarem libertando os que ali ainda estavam.

Ao passar pelo portão de entrada, e me deparar com a frase “Arbeit macht frei” (“O Trabalho Liberta”), já senti tamanha crueldade. O local recebe muitos turistas, mas o silêncio e o clima sombrio predominam o lugar.

No campo de concentração, nos deparamos com grandes barracões, onde dois deles têm sua estrutura reconstruída para visitas, os outros restam apenas sua marcação no chão. O local ilustra como foi a vida dos prisioneiros, como funcionava a chegada, a triagem, o trabalho e o quanto eram torturados e submetidos a terríveis experimentos para testar o quanto o corpo humano poderia suportar. Com o resultado, desenvolviam armas e medicamentos para usarem nos campos de batalha.

Cartazes, fotos, objetos e itens pessoais estão exposto. Tudo que vemos nos transmite a dor e sofrimento daquelas pessoas.

Em seguida, percorremos o mesmo caminho que os prisioneiros. Passamos pelos dormitórios, memoriais religiosos, até chegar na câmara de gás e crematório. Nas salas de câmara de gás, eram colocadas cerca de cem pessoas de cada vez, sem roupas e que imaginavam que estariam prontas para um banho coletivo. Mas, dos chuveiros só saíam gás, e as intoxicavam até a morte. Embora não tenha registros físicos de utilização dessas salas, vemos os efeitos da brutalidade nazista.

Caminhando por aquele percurso e imaginando o que aquelas pessoas passaram, é revoltante! Quanta crueldade um ser humano pode ter? É quase impossível não se emocionar.

Todo o campo era cercado e minuciosamente vigiado. Aqueles que tentaram fugir eram fuzilados antes mesmo de passarem pelo portão.

Os prisioneiros eram submetidos ao trabalho pesado e muitos deles morriam a cada dia por desnutrição e outras doenças. Com o passar do tempo, os crematórios ficaram superlotados com corpos amontoados, que em decomposição, aguardavam a cremação.

Uniformes dos prisioneiros
Campo de Concentração de Dachau

Sinceramente, Dachau nos faz reviver um ponto da história muito sofrido. É muito diferente você vivenciar algo que lê. O término da visita é sempre impactante pois saímos de lá sem muita conversa e pensativos.

Quando eu disse que “Estava ansiosa para essa visita, pois já acreditava que seria algo impactante e de muita reflexão”, quis dizer que, diferente de qualquer outro passeio, Dachau nos faz refletir sobre o mundo. Cada um sentirá algo diferente com a visita, mas, com certeza, servirá para que todos nos tornamos mais humanos.

Como chegar no Campo de Concentração de Dachau?

Partindo de Munique, são poucos minutos até chegar a Dachau. Você pode ir de trem, ônibus ou transfer já contratado com seu agente de viagens.

TRANSFER: Optando pelo transfer, o motorista te buscará no hotel, ou local combinado, e o levará para o passeio, trazendo-o de volta ao término.

TREM / ÔNIBUS: Na estação central de Munique, chamada Hauptbahnhof, a compra dos tickets é super fácil. As maquinas não possuem tradução em português, mas além do alemão, contam com inglês e espanhol, que facilita.

Selecione o ticket de 01 dia para linha S2 de Munique com destino à estação Peterschausen (esse ticket é válido para  ida e volta a Dachau e sua utilização é para o mesmo dia comprado).

Chegando em Peterschausen, saia da estação de trem e logo a frente haverá um pequeno terminal, pois o próximo percurso será feito de ônibus. Utilize o mesmo ticket comprado no trem e mostre ao motorista. O ônibus será o de número 726, em direção “Saubachsiedlung” e lhe deixará exatamente na entrada do campo de concentração.

Espero que tenham gostado do meu relato sobre está incrível experiência. Um grande abraço!!!

Ana Cecília Castro

Instagram: @ana.ceciliacastro

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